É com grande alegria e muita honra que hoje tenho a oportunidade de partilhar um pouco das maravilhas que Deus opera na vida de seus amados filhos. Refiro-me àqueles pequeninos com os quais temos a graça de morar hoje, aqui na missão de Macaé-RJ .

Falo da nossa querida Dalva!

Ela é natural de Macaé e está conosco desde 2011. Começou morando com uma família de criação a quem chamava de avô e avó e diz ter sido o melhor tempo de sua vida, pois foi dessa família que recebeu educação e cuidados. Já quando adolescente, foi morar com sua mãe e seus dez irmãos – uma família bastante pobre, com alguns de seus membros apresentando problemas psiquiátricos.

Chegou a trabalhar em casas de família, bem como num hotel (serviços gerais) e numa lavanderia. Porém, com mais ou menos 17 anos começou a se envolver em alguns relacionamentos que não deram certo, acabou engravidando e teve dois filhos. Um deles, Gabriel, permaneceu com ela até completar um ano; todavia, pela falta de condições, entregou-o para uma vizinha, conhecida da família. Por todas estas circunstâncias, transtornos e tropeços, foram se desencadeando os problemas de ordem psiquiátrica: relata que se sentia confusa e com a cabeça “cheia” e, como escape, foi para as ruas…

Adquiriu os vícios do álcool e do cigarro, tendo-os, muitas das vezes, como seu café da manhã, e desta forma percorreu toda a cidade de Macaé, durante anos, com um saco e um gato nas costas, ficando conhecida como índia, por força dos seus traços e pelos trajes que usava. Vivia na marquise do mercado de peixes da cidade e amava caminhar pelas praias. Conta-se que todos os dias ia até uma padaria e por lá ficava, admirando as vitrines – jamais, porém, tendo o hábito de incomodar quem passava! – e, dada sua situação, acabava ganhando alguma coisinha…

Na verdade, vivenciou muitas experiências difíceis e dolorosas, principalmente por ser mulher e sempre andar sozinha. Soube, contudo, nas ocasiões de sufoco, escapar dessas situações, sempre saindo correndo…

Após longos vinte e oito anos nas ruas e nesta vida sofrida, ultimou por ser retirada dessa situação pelo Centro de Cidadania, porém não se adaptou e sempre escapava para a rua… Até que, numas destas idas e vindas, nos contataram visando que a acolhêssemos e, pela graça de Deus, assim foi feito!

Chegou à nossa Casa com um quadro bem debilitado. Era muito introvertida, tinha diversas manias que adquiriu nas ruas (acumulava recicláveis, fazia as necessidades no quintal, etc.), não podia ganhar nenhuma moeda nem ver o portão aberto que logo pensava em fugir, enfim… uma situação delicada e que demandava das Irmãs todo um cuidado especial. Chegou a conseguir sair por duas vezes e, numa delas, só voltou para casa por causa do frio! Não era muito de conversar com as pessoas, respondia laconicamente e só falava o necessário, era muito quieta e passava a maior parte do dia no quintal, deitada nos bancos, tomando sol. Mas com o passar dos anos, pela graça e pelo amor de Deus e com o cuidado de cada uma das Irmãs, ela foi se adaptando e vendo, aos poucos, a casa como sua. Entrou, então, num processo de verdadeira mudança e hoje posso dizer que estas foram as obras de Deus mais visíveis que pude contemplar! Ela começou a fazer parte de tudo, a expor o que gostava, a rezar o terço com as Irmãs, a interagir nas catequeses e, por livre e espontânea vontade, foi batizada.

Hoje, a Dalva assume verdadeiramente as suas funções na Casa, que tem como sua, ama cozinhar, fazer bolos, alimenta o sonho de ter uma padaria, conversa, canta e brinca com as Irmãs.

É, na verdade, um membro do nosso Instituto e tem contato regular com a sua família. Mas, com certeza, vê na Toca de Assis uma nova família, à qual indubitavelmente se integrou.

A Dalva já está conosco há oito anos e é, hoje, outra pessoa. Obra viva do amor e cuidado de Deus.

Ir. Lívia, fpss

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