Patronos

“Vós sois o santo, Senhor Deus único, que fazeis maravilhas. Vós sois forte, vós sois grande, vós sois o altíssimo…”

Filho de Pedro Bernardone comerciante de tecidos e de Pica. Jeanne de Bourlemont nasceu no ano de 1181-1182. Sua mãe lhe deu o nome de João, mas seu pai ao chegar de viagem mudou o seu nome para Francisco. Desde jovem já tinha uma personalidade cativante, sendo o líder dos jovens boêmios em Assis. Lutou contra os nobres de Assis na famosa guerra contra a cidade de Perugia, onde ficou um tempo como prisioneiro. Seu pai como rico comerciante pagou seu resgate e o libertou. Após este tempo de prisão teve sua saúde fragilizada. Seu pai tinha o sonho que ele se tornasse cavalheiro, mas esse sonho foi frustrado. Quando Francisco teve a inspiração Divina, voltou, vendeu seu cavalo e sua armadura e deu o dinheiro aos pobres.

No início da sua conversão e de sua experiência com Deus nunca teve a pretensão de fundar uma Ordem Religiosa, ele só tinha um desejo: “Seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Sua inspiração levou a Igreja a aprovar sua Regra de Vida em 1223, como primeira Ordem de vida Apostólica.

Nos seus escritos, cartas, admoestações, Testamento, Regra de Vida e Orações, ele deixa claro a sua espiritualidade e carisma, um santo que escreveu de forma profunda sobre a Encarnação, Paixão e em especial sobre a Eucaristia, sobre a relação Trinitária com Deus, o perene louvor através das Sagradas Escrituras, o amor e obediência à Igreja, o respeito e reverência aos sacerdotes, o zelo pela liturgia, o amor e devoção a Santíssima Virgem Maria, e o cuidado com os pobres, leprosos e excluídos, o amor a toda criatura, reconhecendo nelas a manifestação do amor de Deus Criador. Na Idade Média, período de tantas guerras e disputas, foi um nobre arauto da Paz.

São Francisco de Assis é o primeiro Patrono das Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento. Ao lermos seus escritos, mais que as suas biografias, é possível colher o seu verdadeiro espírito e captar com profundidade a essência do seu ‘’modo de ser’’ que se torna para nós, hoje, uma fonte límpida na qual ancoramos nossa espiritualidade: uma profunda experiência pessoal com Jesus Eucarístico, Pobre e Crucificado, que nutria nele e entre os irmãos um amor-oblativo aos pobres e à Igreja, uma intensa vida fraterna exercitada na misericórdia e a gratidão filial a Deus por todas as Suas criaturas.

O Pai Seráfico nos inspira de modo peculiar no seu profundo amor, reverencia e zelo pela Santíssima Eucaristia, tudo o que circunda e se refere ao Mistério Eucarístico. Francisco tinha um zelo especial para com a liturgia e escreveu neste sentido – desde as celebrações ao esmero para com as alfaias e sacristias – o devido cuidado que se devia ter com os sacerdotes, as Igrejas, a comunhão, adoração, etc. Se devia cuidar de tudo com apurada diligência para celebrar o sagrado mistério. Ele escolheu amar o Amor não amado, deixou-se atrair e afeiçoar pela pobreza de Cristo na Encarnação, na Cruz e na Eucaristia até se tornar o mais pobrezinho entre os demais, amante de Deus e da humanidade, homem da paz e irmão de todas as criaturas. É este rastro de luz de Francisco que cada Filha da Pobreza deseja seguir e testemunhar, com alegria e simplicidade.

“Não temas, mulher, porque, salva, vais dar ao mundo uma luz que vai deixar a própria luz mais Clara” (LSC 2).

Santa Clara de Assis viveu no século XII. Seu testemunho mostra-nos a sua coragem e riqueza na fé, capaz de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.
Nascida em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver pobre e humilde, adotando a forma de vida que Francisco propunha. Aos 18 anos inspirada pelo desejo de seguir a Cristo e pela admiração por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma amiga sua, Bona di Guelfuccio, dirigiu-se secretamente ao encontro dos frades menores junto da pequena Igreja da Porciúncula para dar início ao seguimento mais radical do Senhor.
A partir daquele momento, tornava-se virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, e a Ele totalmente se consagrava. Após ter transcorrido um período de alguns meses em outras comunidades monásticas, resistindo às pressões de seus familiares que no início não aprovavam sua escolha, Clara se estabeleceu com suas primeiras companheiras na igreja de São Damião.
Foi a primeira mulher na história da Igreja a escrever uma Regra de Vida aprovada pela Santa Sé. Soube esperar e acreditar na vontade Deus. No dia 10 de agosto do ano de 1253 a bula com a aprovação da Regra é levada para Clara em seu leito de morte. Neste mosteiro viveu por mais de quarenta anos até sua morte ocorrida em 1253.
Para nós, Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento, Clara é modelo de amor esponsal a Cristo Jesus. A essência da vida de Clara e de suas irmãs, é antes de qualquer outra coisa, amar uma pessoa, Jesus Cristo, como resposta ao seu amor. “Ame com todo coração a Deus (cf. Dt 111; Lc 10, 27) e a seu Filho Jesus, crucificado por nós pecadores, sem permitir que Ele saia de sua recordação” (Er 11). Esta é a mística de Clara que, no íntimo do seu coração, deixa-se simplesmente enlevar pelo amor do Amado e, por isso, todo o seu afeto, amor e caridade para com as Irmãs (cf. LSC 38), aos pobres e doentes são manifestações concretas de sua relação amorosa com Jesus Cristo. Ela, por inspiração divina, encontrou o sentido de sua existência na pessoa de Jesus Cristo que “esvaziou-se”, e nos ensina dentro de sua espiritualidade Kénotica a dispormo-nos a partilhar com Ele de Seu esvaziamento por amor.
Clara também nos ensina a espiritualidade Trinitária, nos ensina a viver a relação filial e amorosa com o Pai, a relação esponsal como esposas de Nosso Senhor Jesus Cristo trabalhando com Ele para a construção do Reino e a relação fecunda com o Espírito Santo, que gera em nós a maternidade espiritual, fruto do amor esponsal.

“Se morro, morro de amor pela Santa Igreja. ”

No ano da graça de 1347, Lapa Benincasa deu à luz duas gêmeas em seu vigésimo quarto parto. Uma delas não sobreviveu após o batismo. Catarina, a penúltima da família e caçula das filhas, teve a predileção de todos e cresceu num ambiente moral puro e religioso. Seus pais eram muito pobres e ela era uma dos vinte e cinco filhos do casal.

Como a Providência Divina tinha desígnios especiais sobre ela, desde cedo Catarina foi cumulada de favores celestes. Aos sete anos, fez voto de virgindade; aos 16, cortou seus cabelos para evitar um casamento. Analfabeta, aprendeu milagrosamente a ler e escrever, para poder cumprir a missão que Deus lhe destinava.

Ela entrou na Ordem Dominicana terceira, e viveu durante muitos anos em um quartinho na casa de seus pais, onde vivia em oração e cuidava dos pobres e doentes.

Foi lhe revelado por Deus que ela teria uma grande missão, então pediu aos seus secretários que, assim que a vissem entrar em êxtase anotassem suas palavras. Daí nasceu o livro do diálogo entre a sua alma e a de Deus, conhecido hoje pelo nome de “O Diálogo”. Ela escreveu a Cardeais, Bispos e Prelados, 150 cartas; e a reis, príncipes e governantes, 39 cartas. Intermediou a volta do Papa Gregório XI para Roma no grande cisma do Ocidente que a Igreja sofreu. Morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade.

Em seus escritos deixa evidente o seu grande amor e dedicação pela Igreja, visto ter superado com fortaleza de ânimo todos os desafios, não poupando sua vida em vista deste amor. De seu exemplo, as Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento haurem inspiração para viverem sua vocação doando a vida pela Mãe Igreja.

Catarina nos ensina também a crescermos na generosidade e bondade para com os pobres e doentes na qual dedicou sua vida.